- Entendo algo de medicina, sei como a última hora se anuncia. Ontem, tinha apenas os pés frios; hoje, os joelhos; já o sinto subir-me à cintura; quando chegar ao coração, deixarei o mundo. O sol está magnífico, não é verdade? Fiz com que me arrastassem para aqui, a fim de lançar-lhe um último olhar. Fez muito bem em vir assistir à morte de um homem. É bom que haja testemunhas, neste momento. Desejava chegar até o romper da aurora, porém sei que só viverei três horas. Morrerei à noite. Acabar é uma coisa simples. Não se necessita do dia para morrer; morrerei à luz das estrelas."
HUGO, Victor. Os Miseráveis. Primeira parte: IX.
segunda-feira, 6 de maio de 2013
Janeiro de 2012
"Nossa vida quotidiana é bombardeada de acasos, mais exatamente encontros fortuitos entre as pessoas e os acontecimentos - aquilo que chamamos de coincidências. Existe co-incidência quando dois acontecimentos inesperados acontecem ao mesmo tempo, quando eles se encontram [...]
No princípio do pesado livro que Tereza carregava embaixo do braço no dia em que viera para a casa de Tomas, Ana encontra Vronsky em circunstâncias estranhas. Estão na plataforma de uma estação e alguém acabara de cair sob o trem. No fim do romance, é Ana que acabara de cair sob o trem. Essa composição simétrica, onde o mesmo motivo aparece no começo e no fim, pode até parecer 'romântica'. Admito que seja, mas somente com a condição de que romântico não signifique para você uma coisa 'inventada', 'artificial', 'sem semelhança com a vida'. Porque é assim mesmo que é composta a vida humana.
Ela é composta como uma partitura musical. O ser humano, guiado pelo sentido da beleza, transpõe o acontecimento fortuito (uma música de Beethoven, a morte numa estação) para fazer disso um tema que, em seguida, fará parte da partitura de sua vida. Voltará ao tema, repetindo-o, modificando-o, desenvolvendo-o e transpondo-o, como faz um compositor com os temas de sua sonata. Ana poderia ter posto fim a seus dias de outra maneira. Mas o tema da estação e da morte, esse tema inesquecível associado ao nascimento do amor, atraiu-a no momento do desespero por sua sombria beleza mesmo nos instantes do mais profundo desespero.
O romance não pode, portanto, ser censurado por seu fascínio pelos encontros misteriosos dos acasos [...], mas podemos, com razão, censurar o homem por ser cego a esses acasos na vida quotidiana, privando assim a vida da sua dimensão de beleza."
Trecho de "A insustentável leveza do ser" de Milan Kundera.
domingo, 2 de setembro de 2012
Domingo, 02 de Setembro de 2012.
Sobre se apaixonar.
Quando paro para pensar sobre a paixão, sempre me recordo dos tempos em que eu escrevia textos enormes e refletia páginas e páginas mentais sobre a paixão consumada, o desejo de transcender no ato sexual, a intimidade, os corpos... (...)
Tendo em vista o que tem acontecido ultimamente comigo, percebo agora a paixão de uma forma tão pacífica que me impede de, até, ter desejos profundos. Estou falando sobre se apaixonar a cada esquina.
É curioso pensar sobre coincidências, mesmo aquelas que de fato não existiram, mas você fantasia a possibilidade de terem ocorrido.
O prazer do intocável é maravilhoso... E eu tenho cedido de uns tempos pra cá. Mas contrariando qualquer ideia prévia que tinha sobre o assunto, eu, ao invés de me sentir necessitada de toque carnal, não. Dessa vez não. Dessa vez tudo soa em tamanha inocência e uma falta de dependência, substituindo a última pelo sorriso quando eu puder vê-la chegando de longe.
O desejo agora é de, simplesmente, reencontrar e olhar, nos olhos, nos lábios... Apenas.
Quero, hoje, pagar uma sessão de cinema e tomar refrigerante no mesmo copo... Quero que amanhã eu acorde e não mude de ideia.
quinta-feira, 30 de agosto de 2012
Poema dos Olhos da Amada
Ô bien-aimée, quels
yeux tes yeux
Embarcadères la
nuit, bruissant de mille adieux
Des digues silencieuses
Qui guettent les lumières
Loin... si loin dans le noir
Ô bien-aimée, quels yeux... tes yeux
Tous ces mystères dans tes yeux
Tous ces navires, tous ces voiliers
Tous ces naufrages dans tes yeux
Ô ma bien-aimée aux yeux païens
Un jour, si Dieu voulait
Un jour... dans tes yeux
Je verrais de la
poésie, le regard implorant
Ô ma bien-aimée, quels yeux... tes yeux.
Quinta-feira, 30 de agosto de 2012.
No meu mundo perfeito, o único silêncio comum entre as minhas nações internas seria a guerra.
terça-feira, 24 de abril de 2012
quarta-feira, 11 de abril de 2012
Quinta, 29 de março de 2012.
Minha boca na sua
A sua na minha
Na rua...
Finjo que ninguém vê.
Sua boca na minha
A minha na sua
Na rua
...
A sua boca na minha
A sua na minha
Na rua
Um gole de rum na chuva
E sou sua por um segundo infinito.
Assinar:
Postagens (Atom)